Alexandrium

pseudogonyaulax

Espécie

Grupo Taxonômico

Alexandrium pseudogonyaulax* (Biecheler) Horiguchi ex K.Yuki & Y.Fukuyo 1992

Grupo Taxonômico:
Reino: Chromista
Filo: Dinofalgellata
Subfilo: Muzozoa
Classe: Dinophyceae
Ordem: Gonyaulacales
Família: Pyrophacaceae
Gênero: Alexandrium
Espécie: Alexandrium pseudogonyaulax (Biecheler) Horiguchi ex K.Yuki & Y.Fukuyo 1992

Morfologia:

Alexandrium pseudogonyaulax é um dinoflagelado tecado (armado), marinho e planctônico. As células são de tamanho médio a grande (34-69 µm), com formato irregularmente pentagonal e mais largas do que compridas. A teca é lisa e fina, com a fórmula de placas Po, 4', 6'', 6c, 10s, 5''', 2''''. Uma característica marcante é a primeira placa apical (1'), que não toca a placa do poro apical (Po) e possui um grande poro ventral em sua margem. A espécie é fotossintética, com numerosos cloroplastos amarelo-acastanhados. A reprodução ocorre tanto assexuadamente por fissão binária quanto sexuadamente, com a formação de um cisto de repouso único. Este cisto é esférico, escuro, com diâmetro de 40-55 µm e, notavelmente, possui uma parede externa não lisa e paratabulada, sendo a única espécie do gênero Alexandrium com esta característica.

Distribuição geográfica: A espécie foi originalmente descrita na Lagoa de Thau, no Mar Mediterrâneo (França). Desde então, foi registrada em diversas áreas costeiras de águas temperadas a frias do Hemisfério Norte, incluindo o Estreito da Geórgia (Canadá) e, mais recentemente, com frequência e abundância crescentes em águas do norte da Europa, como no Mar Báltico. Até o momento, não há registros confirmados de Alexandrium pseudogonyaulax em águas brasileiras, onde outras sete espécies do gênero já foram identificadas.

Bioma: Marinho Costeiro e Estuarino.

Hábitat: A. pseudogonyaulax é uma espécie tipicamente costeira e de águas salobras. Habita a coluna d'água como um organismo planctônico. Sua recente expansão em águas do norte europeu sugere uma boa capacidade de adaptação a diferentes condições de salinidade e temperatura, o que pode favorecer sua dispersão para novas áreas frente às mudanças climáticas.

Corpo d'água: Encontrada em lagoas costeiras, baías, estuários e mares interiores. Suas florações (blooms) são um fenômeno crescente em regiões como o Mar Báltico, onde a espécie parece estar deslocando outros dinoflagelados nativos.

Importância Ecológica: A importância ecológica de A. pseudogonyaulax é ambivalente e complexa. Como produtor primário, participa da base da teia alimentar. No entanto, é mais conhecida por seu papel como uma espécie formadora de florações algais nocivas (FANs). Sua capacidade de formar densas florações pode levar à descoloração da água e a impactos negativos no ecossistema. Uma de suas estratégias ecológicas mais notáveis é a mixotrofia, combinando fotossíntese com a captura de presas. Para isso, utiliza um mecanismo único: a secreção de uma armadilha de muco tóxico que imobiliza outras microalgas e protistas antes de ingeri-los. Essa estratégia de alimentação aumenta sua taxa de crescimento e confere uma vantagem competitiva significativa, permitindo que domine a comunidade fitoplanctônica.

Tolerância Ambiental: Estudos demonstram que A. pseudogonyaulax possui uma considerável tolerância a variações de salinidade e temperatura, o que explica sua capacidade de se estabelecer em novos ambientes, como o Mar Báltico. A combinação de aquecimento global e mudanças na química da água pode ampliar ainda mais sua distribuição geográfica e a frequência de suas florações.

Bioindicador Ambiental: A presença de florações de Alexandrium pseudogonyaulax é um forte indicador de perturbação no ecossistema pelágico. Por ser uma espécie nociva e potencialmente ictiotóxica, sua dominância pode sinalizar um desequilíbrio na comunidade planctônica e um risco para níveis tróficos superiores, incluindo peixes e invertebrados. Sua expansão para novas áreas é um importante bioindicador dos efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos.

Toxicidade e Impactos: Alexandrium pseudogonyaulax não produz saxitoxinas, as neurotoxinas responsáveis pela Intoxicação Paralítica por Moluscos (PSP) associada a outras espécies do gênero. No entanto, produz outras duas classes de compostos tóxicos:

  1. Goniodomina A (GA): Uma potente ficotoxina do tipo macrolídeo poliéter com atividade antifúngica e citotóxica, que afeta o fígado e o timo em experimentos de laboratório.
  2. Substâncias Extracelulares Bioativas (BECs): Compostos ainda não caracterizados quimicamente que são liberados na água. Estudos recentes demonstraram que estas substâncias, e não a Goniodomina A, são as principais responsáveis pelos efeitos tóxicos agudos da espécie. As BECs causam lise celular em outras microalgas, prejudicam a mobilidade do zooplâncton e, mais criticamente, possuem potencial ictiotóxico, causando mortalidade em células de brânquias de peixes. A capacidade de matar peixes representa uma séria ameaça para a aquicultura e para as populações de peixes selvagens.

Métodos de Coleta e Preservação: A coleta é realizada com rede de plâncton (malha de 20 µm) e garrafas de amostragem (tipo van Dorn) para análises quantitativas. As amostras são fixadas com solução de Lugol ou formaldeído neutralizado. A identificação precisa requer análise detalhada da teca em microscopia óptica ou eletrônica. A confirmação da espécie e a distinção de espécies morfologicamente semelhantes geralmente exigem análises filogenéticas moleculares (sequenciamento de DNA).

Referências Bibliográficas:

  1. Guiry, M.D. & Guiry, G.M. (2025). AlgaeBase. World-wide electronic publication, National University of Ireland, Galway. https://www.algaebase.org; searched on 25 November 2025.
  2. Menezes, M., et al. (2018). The Genus Alexandrium (Dinophyceae, Dinophyta) in Brazilian Coastal Waters. Frontiers in Marine Science, 5, 421.
  3. Blossom, H.E., et al. (2012). Toxic mucus traps: A novel mechanism that mediates prey uptake in the mixotrophic dinoflagellate Alexandrium pseudogonyaulax. Harmful Algae, 17, 40-50.
  4. Möller, K., et al. (2024). Toxic effects of the emerging Alexandrium pseudogonyaulax (Dinophyceae) on multiple trophic levels of the pelagic food web. Harmful Algae, 138, 102705.
  5. Tulatz, S., et al. (2024). Effects of temperature, salinity and CO2 concentration on growth and toxin production of the harmful algal bloom species Alexandrium pseudogonyaulax (Dinophyceae) from the Baltic Sea. Harmful Algae, 139, 10273636969369693969705.

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