Asterionellopsis

glacialis

Espécie

Grupo Taxonômico

Asterionellopsis glacialis

Grupo Taxonômico

Nível Taxonômico Classificação
Império Eukaryota
Reino Chromista
Filo Heterokontophyta
Classe Bacillariophyceae
Ordem Rhaphoneidales
Família Asterionellopsidaceae
Gênero Asterionellopsis
Espécie Asterionellopsis glacialis (Castracane) Round 1990

Morfologia:

Asterionellopsis glacialis é uma diatomácea penada que forma colônias em formato de estrela ou helicoidais. As células individuais são heteropolares, com um formato de agulha que se alarga em uma base triangular. Em vista de cintura, as células apresentam um pescoço longo e estreito e uma base larga. As células adjacentes se unem pela face da valva na base, fazendo com que as colônias sejam frequentemente observadas em vista de cintura. Cada célula possui de um a dois cloroplastos em forma de placa, de cor amarelo-acastanhada, localizados na base da célula. O comprimento total da célula (eixo apical) varia de 30 a 150 μm.

Distribuição Geográfica

É uma espécie cosmopolita, encontrada em oceanos de todo o mundo. É particularmente abundante em águas de zonas temperadas e frias, com registros em mais de cinquenta locais globalmente, sendo a maioria no hemisfério sul. Frequentemente, forma acumulações de alta densidade em zonas de arrebentação (surf) de praias arenosas.

Bioma

Marinho.

Hábitat

Asterionellopsis glacialis é uma diatomácea planctônica e bentônica, primariamente encontrada em ambientes neríticos (águas costeiras rasas). É uma espécie característica e dominante em zonas de arrebentação de praias arenosas com alta energia de ondas. Também pode ser encontrada em ambientes estuarinos. A espécie tolera uma ampla faixa de temperatura (2-29 °C) e salinidade (31-38 PSU).

Corpo d'água

Oceanos, mares costeiros, estuários e, mais notavelmente, a zona de arrebentação de praias arenosas.

Importância Ecológica

Como um produtor primário, Asterionellopsis glacialis constitui a base de uma cadeia alimentar curta e altamente produtiva nos ecossistemas de praias arenosas onde prolifera. Suas florações (blooms) representam uma fonte significativa de carbono para os níveis tróficos superiores. O papel exato da espécie na teia alimentar microbiana ainda está sob investigação, mas sua alta biomassa indica uma contribuição substancial para a produção primária local.

Tolerância Ambiental

A espécie é considerada euritópica, adaptada a uma vasta gama de condições ambientais. Sua presença é mais comum em águas frias a temperadas e está associada a zonas de alta energia, como a arrebentação das praias. Fatores como a energia das ondas, a morfologia da praia e a disponibilidade de nutrientes, especialmente silicatos, são determinantes para a ocorrência de suas florações.

Bioindicador Ambiental

A presença de florações de Asterionellopsis glacialis pode ser indicativa de condições específicas da água, como alta disponibilidade de nutrientes (especialmente silicatos) e hidrodinâmica favorável em zonas de arrebentação. No entanto, não é utilizada como um bioindicador específico para um determinado estado trófico ou nível de poluição, como outras algas.

Reprodução e Ciclo de Vida

A reprodução ocorre tanto de forma assexuada quanto sexuada, o que é típico para diatomáceas. A reprodução assexuada por divisão celular mitótica leva à diminuição do tamanho da célula ao longo das gerações. O tamanho é restaurado através da reprodução sexuada, com a formação de um auxósporo. O ciclo de vida é influenciado por fatores ambientais como temperatura e disponibilidade de nutrientes.

Métodos de Coleta e Preservação

Amostras de plâncton contendo Asterionellopsis glacialis podem ser coletadas com redes de plâncton ou por coleta direta de água. Para estudos populacionais e taxonômicos, culturas monoclonais são estabelecidas a partir do isolamento de células ou colônias individuais. A preservação das amostras para análise morfológica é comumente feita com formaldeído neutralizado (em torno de 4-5%) ou solução de Lugol. A identificação detalhada da ultraestrutura da valva requer microscopia eletrônica de varredura (SEM).

Aspectos Evolutivos e Sistemáticos

Asterionellopsis glacialis é considerada uma espécie complexa que abriga uma significativa diversidade críptica. Estudos filogenéticos moleculares, utilizando marcadores como ITS, rbcL e cox1, revelaram a existência de múltiplos clados geneticamente distintos que são morfologicamente quase idênticos. Essa divergência genética oculta sugere que o que é tratado como uma única espécie cosmopolita pode, na verdade, ser um complexo de espécies distintas com diferentes nichos ecológicos e distribuições biogeográficas. A diversificação morfológica parece ser mais lenta que a divergência genética neste grupo.

Referências Bibliográficas

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  4. Round, F. E., Crawford, R. M., & Mann, D. G. (1990). The diatoms: biology and morphology of the genera. Cambridge University Press.
  5. Kociolek, J.P. et al. (2026). DiatomBase. Asterionellopsis glacialis (Castracane) Round, 1990. Accessed through: World Register of Marine Species at: https://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=149139 on 22 January 2026.

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